Arquivo mensal: julho 2009

Sobre Acústicos e Valvulados

Último post publicado no site “De Garagem”.

acústicos

Ok. Já que o “De Garagem” nasceu no Rio Grande do Sul, decidi falar sobre uma banda do mesmo estado que tem feito algumas apresentações por São Paulo e Minas Gerais.

Os “Acústicos e Valvulados” começaram em 1991, inicialmente como uma banda de Rockabilly, mas após algum tempo de estrada, se remodelaram e começaram a fazer um bom pop rock nacional (o que, vamos confessar, pode ser  difícil de encontrar). Após lançar cinco álbuns de estúdio, eles gravaram o projeto Acústico “Ao vivo e a cores” com o qual trabalharam durante todo o ano de 2008. Fizeram shows, participaram de programas de TV, rádio, atualizaram o site, a até mudaram roupas, cortes de cabelo e integrantes (Diego Lopes, Luciano Leães e Daniel Mossmann vieram na última formação).

A pergunta que fica é: Depois de tantos anos de estrada, porque só o Rio Grande do Sul os conhece?

Você provavelmente já viu o vocalista da banda, Rafael Malenotti correndo pelos campos do Rock e Gol na MTV, sendo chamado de “Beduíno Albino”, mas fora fazer parte dessa piada antiga, pouco se  sabe sobre a banda em outros estados. Rafael canta bem e tem presença de palco, Alexandre Móica é o Keith Richards brasileiro (até na cara), Diego Lopes é um multiinstrumentista extremamente competente, Paulo James, baterista da banda, faz jus ao apelido de “maestro”, Luciano Leães é considerado um dos cinco melhores pianistas de blues do Brasil e Daniel Mossmann é sábio em entender o exato momento em que deve fazer o som de sua guitarra sumir ou aparecer. São músicos como poucos em uma banda que amadureceu muito com o tempo e experiência.

A música nova, “Só pra incomodar”, tem tudo para ser mais um sucesso nas rádios do Rio Grande do Sul e no resto do Brasil. O single é um verdadeiro rock n´roll com uma letra boa como poucas dentro do rock nacional. Lembra até a irreverência do “Ultraje a Rigor” com um instrumental mais competente.

Quem os conhece aqui em São Paulo, os quer nas rádios e MTV. Acredite! Acústicos ou valvulados (Não ia acabar o texto com uma piada ruim, mas decidi colocá-la… “Só pra incomodar”).

Paula Febbe

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P!nk é pop!

P!nk : A boa garota má

P!nk : A boa garota má

P!nk é pop! Não importa o quanto ela grite aos quatro ventos na música “So What” que “ainda é uma rockstar”. P!nk é pop e ponto! 

Lembro da P!nk na época de seu primeiro álbum “Can´t take me home”. Teimavam em fazer com que ela parecesse mais uma cantora negra de rn´b. Aquela voz poderosa não deixava ninguém perceber que ela era branca, na verdade.

 Quando ouvimos o terceiro álbum de sua carreira, “Try This”, produzido por Tim Armstrong (Rancid), em comparação com o primeiro, não vemos quase nada em comum. Apenas a atitude de uma menina brava. 

Essa atitude que parecia não ter muito propósito no começo da carreira, se moldou, amadureceu e virou algo bem mais canalizado e real (ou muito melhor interpretado).

 Em seu segundo álbum, “Missundaztood”, P!nk começou a se encontrar. Fez músicas mais voltadas para o rock (o disco teve colaborações de Richie Sambora, Linda Perry e Steven Tyler) e escreveu letras do tipo “eu-me-odeio”. Prato cheio para adolescentes da geração pré-emo. 

Assim que saiu seu último disco, “Funhouse”, P!nk disse fazer “terapia em grupo”, já que toda a dor do divórcio está ali, exposta, para quem quiser ouvir.

 P!nk é meio masculina. Tem fama de briguenta, não é magrela, tem cabelos curtíssimos, humor sarcástico em entrevistas e videoclipes, voz rouca e uma beleza que, por vezes, só as lésbicas conseguem ver.

 Ainda assim, enquanto princesas pop ficam carecas, passam por overdoses, comas alcoólicos e saem por aí sem calcinha, P!nk pode ser considerada praticamente a “Macunaíma” da música pop americana. Uma anti-heroína de carne e osso.

Ela bebe, mas ninguém a vê caída no chão;

Ela sofre, mas faz piada disso;

Ela chora, mas nunca em público;

Ela usa roupas transparentes, mas não fica vulgar;

Ela vai à praia de biquíni, mas ninguém encontra uma celulite!

 P!nk preenche um espaço só dela na música pop. Não têm concorrentes. Enquanto vários artistas e empresários na indústria tentam mostrar perfeição, ela expõe as falhas. Expõe e ainda faz piada disso.

 Toda a fraqueza dela está em cada linha das músicas que ela compõe e só ali. Mas como nunca a vemos enlouquecendo e sofrendo, a força que ela mostra dá respaldo para que a geração de adolescentes que a acompanha acredite no que é mostrado, o que é realmente muito bom!

 A garota que seria o retrato de grandes problemas acabou sendo aquela que não causa problema nenhum, e critica (sem playback) e com muito fundamento, a futilidade, a proibição do casamento gay, o absurdo do mercado de peles de animais, o governo e acima de tudo, qualquer tipo de preconceito.

Que bom seria se todo pop fosse P!nk… 

Que P!nk seja cada vez mais pop!

Paula Febbe

Obrigada, Michael!

Nunca vivi em um mundo onde não existisse Michael Jackson…

Michael Jackson em 1992

Michael Jackson em 1992

 Normalmente falo estritamente sobre rock n´roll, mas como a contribuição do “Rei do pop” para o rock também foi grande, decidi falar sobre ele. Na verdade, já conhecemos toda a trajetória e sabemos o valor do que ele construiu, então, o que posso fazer é dar minha humilde opinião sobre sua carreira.

       Nunca acreditei que Michael Jackson tivesse abusado de criancinhas. Porém, sempre acreditei que o talento pudesse despertar sentimentos horríveis em pessoas que não o têm. A vontade de destruir o “sortudo” pode predominar a vontade de simplesmente admirar o trabalho do outro.

       Acontece muito com grandes astros, principalmente os “pop”. Guardadas as devidas proporções, podemos pensar em Britney Spears e sua careca, Madonna e a caballa, Amy Winehouse e a cana, entre outros.

       Michael era um prato cheio. Além de ser o homem mais famoso do mundo, era dono de um talento incontestável. Teve alguns traumas de infância, um convívio fora do usual com crianças e uma bondade mal compreendida.

       Ele nunca viveu em um mundo real. O êxtase de fãs quando o encontravam e o fato de precisar estar recluso, levaram Michael a se tornar alguém, no mínimo, muito ingênuo, acredito eu. Isso, de maneira alguma, fazia dele uma má pessoa, mas dava cada vez mais munição para que a imprensa pudesse falar mais e mais bobagens sobre cada aspecto da vida dele.

       Com as mudanças estéticas, fossem estas provocadas por ele ou por circunstâncias, Michael tornou-se cada vez mais distante do que seria considerado fisicamente normal. 

      O conhecíamos desde pequeno. De negro, ficou quase translúcido de tão branco, o nariz tornou-se cada vez menor e seu rosto ficou cada vez mais irreconhecível se comparado ao que tinha no início da carreira. Sua imagem mostrava alguém tão fora dos padrões, que se encaixaria melhor em nossa imaginação como “o monstro terrível” construído pelos jornais, e cada vez menos como alguém generoso e de bom coração. Suas músicas e apresentações deram lugar a acusações e julgamentos precipitados.

          Se Michael não tivesse morrido, será que o mundo deixaria que ele fizesse seu grande retorno? Sinceramente não sei, mas acho que não.

         Assim que tivemos a terrível notícia de sua morte, voltamos a ver Michael como um mortal. Lembro de uma das frases que vi no twitter, assim que aconteceu: “Mas ele morre?”. Essa frase cruel e desrespeitosa define muito o jeito que os fãs do “mito” se afastaram do “homem” Michael, acreditando que ele estava cada vez mais perto de ser “algo” e não “alguém”.

         Felizmente, para pessoas como ele, as manchetes sensacionalistas duram tanto quanto os peixes que embrulham no dia seguinte, e é isso que me faz acreditar que a essência do ser humano seja, na verdade, boa.

         Michael fez o que poucos conseguem nessa vida: Viveu para deixar o mundo um pouco melhor do que estava quando ele nasceu. Não consigo imaginar um mundo sem a música dele, mas consigo imaginar o que teria sido da vida dele sem todas as manchetes mentirosas. No final das contas, ele era simplesmente a definição do que podemos chamar de artista, e o que importa é isso, nada mais.

        Agora o mundo volta a ser ocupado apenas por “humanos”… Pois é! Que pena para o mundo!

Paula Febbe