Arquivo mensal: abril 2009

“Joe Strummer once said he cared…”

 

Durante a entrevista...

Durante a entrevista...

      

 

Entrevista feita em 17 de outubro de 2008 na loja London Calling da  Galeria Presidente no final da tarde, após os autógrafos.

 

Dan Peters (o baterista do Mudhoney) foi o único que não quis participar da entrevista e esperou fora da loja, fumando e tomando uma cerveja.

 

 Paula Febbe : A maior parte dos seus fãs ainda os considera uma banda grunge. Como vocês lidam com isso 20 anos depois? 

 

Mark Arm: Nós não pensamos nisso, na verdade. As pessoas chamam a gente do que elas quiserem chamar. Quando nós começamos, achávamos que éramos uma banda punk, mas de alguma forma dentro do rock n´roll, é isso que fazemos. É apenas isso…

 

Steve Turner: Nós somos grunge!

 

Mark Arm (apontando para Steve): Eu sempre falei para ele que nós éramos grunge.

 

Steve Turner: Eu não vou subir no palco até que você diga que nós somos grunge.

 

Mark Arm: Ok! Nós somos grunge. 

 

Paula Febbe: O que vocês acham da tecnologia na música? A internet é algo bom ? Downloads são bons? 

 

Mark Arm : É ótimo! E é ótimo principalmente porque nós nunca tocamos no rádio e com downloads é o jeito mais fácil de chegarem à nossa música, então, tudo bem pra gente. 

 

Steve Turner: Além disso, tem muitos colecionadores de discos, colocando álbuns “obscuros” na internet. E são discos que nunca seriam lançados em CD mesmo,então eu acho ótimo esse monte de músicas lado B que podemos baixar hoje em dia, e que existiam apenas em vinil. 

 

Guy Maddison: Por que lutar contra isso, sabe? É assim que vai ser daqui pra frente. No futuro será ainda mais informação o tempo todo, então isso é só o começo. 

 

Paula Febbe : Com muitas bandas grunge, existiam muitos músicos que sofriam e cantavam sobre este sofrimento e sobre o que eles achavam que estava errado na sociedade. Muitos, inclusive, não conseguiram viver durante muito tempo, talvez até por causa deste sofrimento que parecia ser genuíno. Hoje em dia, muitas bandas de rock parecem sofrer por coisas sem importância e escrevem coisas sem importância. O que vocês acham disso? O que deu errado? 

 

Mark Arm : Eu não me importo nem um pouco com o que outras bandas estão fazendo. Não é importante para mim. Não significa nada. Outras bandas podem fazer o que quiserem que não vai me afetar.

 

 Steve Turner : Mark só ouve aos discos do Mudhoney 

 

Paula Febbe (Para Steve Turner): E você? 

 

Mark Arm : Nós só ouvimos os discos do Mudhoney 

 

Steve Turner: Sabe… Eu gosto de muitas músicas que não têm muito significado, também. 

 

Mark Arm: Sim! “Yummy,yummy,yummy, I got love in my tummy” é cheia de significado. 

 

Steve Turner: “Beat on the grat” é uma ótima música. 

 

Guy Maddison: Existem muitas músicas legais de brincadeira, sabe? Mas falando sério… Quantos destes músicos que escreveram sobre os problemas do mundo realmente fizeram alguma coisa? Pouquíssimos. 

 

Steve Turner (cantando trecho de música): Joe Strummer disse se importar, mas ele nunca se importou…

 

Aliás, essa música é do “Rudimentary Peni”. 

 

Todos começam a rir  

 

Paula Febbe : E qual vocês acham que foi a maior perda que Seattle teve nestes últimos vinte anos? 

 

Mark Arm: A maior perda? 

 

Paula Febbe : Sim !

 

 Mark Arm: A cidade que nós amávamos foi modificada por aqueles que a desenvolveram. Todo o dinheiro que entrou lá pelo Starbucks, pela Microsoft, Amazon e outras grandes companhias mudou a face da cidade. Bem mais do que a música jamais conseguiu mudar. Seattle agora é um lugar extremamente caro para se morar, aliás, Steve saiu de lá por causa disso. 

 

Steve Turner: Eu moro em Portland, agora. 

 

Paula Febbe: Sério? 

 

Steve Turner: Sim. Sabe… A América é a cidade mais punk rock que existe.

 

 Todos voltam a rir. 

 

Guy Maddison: Eu sinto falta do “Kingdome” (referindo-se ao estádio de baseball demolido em 2000, onde várias bandas da época grunge tocavam) 

 

Steve Turner: Foi terrível assistir o “Kingdome” explodir. Foi um dia muito triste. 

 

Mark Arm: Quando éramos mais novos, nós podíamos fumar maconha atrás do estádio. Hoje em dia, não existe mais um lugar legal para fazer isso. 

 

Paula Febbe: E quanto às bandas de Seattle? Qual foi a maior perda? 

 

Mark Arm (rindo): Os Fallouts ainda estão por aí, então não posso considerar uma grande perda.

 

 Mais uma vez, a banda cai na gargalhada. 

 

Steve Turner: Sabe… Eu nunca consegui ver o “Patchouli Sewer”. Eles já tinham se separado quando eu comecei a ouvir os discos deles. E eu realmente queria ter visto. 

 

Paula Febbe: Qual o segredo para continuar tocando depois de 20 anos? Vocês se consideram os “Rolling Stones” do grunge? 

 

Mark Arm: Nós nos consideramos o Mudhoney do grunge 

 

Steve Turner: Sabe… A gente gosta do que faz. 

 

Mark Arm: É simples assim!

 

 Steve Turner: Nós nos divertimos e gostamos da música que fazemos então nós continuamos fazendo. Aí algumas pessoas nos convidaram para vir ao Brasil, e nós viemos. 

 

Mark Arm: Enquanto as pessoas quiserem nos ver tocar, nós iremos. 

 

Steve Turner: Nós vamos até se pararem de nos convidar. 

 

Todos voltam a dar risada.

 

 Guy Maddison: Nós temos muita sorte. Temos muita sorte de ainda poder fazer tudo isso. E provavelmente isso vai continuar…

 

 Paula Febbe: Agora eu gostaria que vocês deixassem uma mensagem para seus fãs. 

 

Mark Arm: Os sanduíches de mortadela do Mercado Municipal aqui de São Paulo são ótimos. Todos deveriam experimentar. Essa é minha mensagem 

 

Paula Febbe: E as caipirinhas? 

 

Todos: Ah, sim! 

 

Steve Turner: Nós desenvolvemos um amor pela caipirinha. A primeira vez que nós viemos, Guy não tomava porque achou que o deixava doente, aí ele percebeu que as caipirinhas não o deixam doente, na verdade o deixam bêbado. 

 

Guy Maddison: Feijoada! Comam mais feijoada!

 Por Paula Febbe

 

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Show Motorhead São Paulo (18/04/2009)

      Sempre que faz um novo disco e, por conseqüência, uma nova turnê, o Motorhead parece levar uma grande legião de verdadeiros amantes de cerveja, mulheres e rock n´roll a seus shows. Claro que a turnê de “Motorizer” não chegou ao Brasil de maneira diferente. Mesmo sendo a sétima vez da banda no Brasil, ainda às 21:00 hs, a fila em frente ao Via Funchal parecia não ter fim.

      A conhecidíssima banda do underground paulista “Baranga” serviu muito bem para “esquentar” o público que esperava por Lemmy e sua trupe. A banda de abertura subiu ao palco pontualmente às 22h00min tocando músicas como “O Céu é o Hell”, “Pirata do Tietê”, “Garota do Rock” e “Whiskey do Diabo”, diferentemente da banda principal que atrasou quase uma hora e meia para colocar o set list em prática. Ainda assim, os fãs pareciam não se importar com o atraso da banda inglesa e continuavam extremamente ansiosos para ver o show.

     O Motorhead entrou no palco com a clássica “Iron Fist”, seguida da contagiante “Stay Clean”. Logo após as duas músicas já conhecidas, foi a vez de “Rock Out”, a primeira música de trabalho do disco novo. O fato do som da banda nunca ter mudado muito durante todos estes anos, é um ponto positivo para eles. Por isso, podemos dizer que o Motorhead não possui apenas fãs, mas seguidores que insistem em chamar Lemmy Kilmister de Deus! Mesmo estando com 63 anos, “Deus” não deixou a desejar e mostrou uma tremenda vitalidade que pareceu se acentuar na música da banda que homenageia nosso país. “Going to Brazil” foi incrivelmente bem executada.  

     A parte mais curiosa do show, porém, ficou por conta de “Over The Top”. Assim que Lemmy percebeu que havia anunciado a música e seu baterista, Mikkey Dee, não estava presente no palco, desculpou-se dizendo que naquele dia havia ocorrido “um desastre atrás do outro”. Em menos de cinco minutos, o resto da banda foi para trás do palco e voltou com o músico “foragido para continuar o set.

     Alguns fãs disseram que, dessa vez, a apresentação deixou um pouco a desejar, já outros falaram que foi o melhor show do Motorhead que já haviam assistido. De qualquer forma, se um ser-humano gosta de rock, tem obrigação de conferir pelo menos um show dos caras para se auto intitular um rockeiro de carteirinha. 

     O show não foi curto. Durou mais ou menos uma hora e quarenta. As duas últimas músicas apresentadas pela banda “Ace of Spades” e “Overkill” serviram para aumentar ainda mais a ânsia de um próximo show deles no Brasil (ainda que não tivéssemos nem deixado o Via Funchal).

      Para aqueles que ainda não conseguiram assistir a algum show do Motorhead, fica a frase de Mikkey Dee, o baterista “lost”, sobre suas visitas ao Brasil: “Nós somos como pesadelo… sempre voltamos… vocês podem até não querer, mas nós sempre voltamos!”.

Desculpe Mikkey, mas por mais que seja mais rock n´roll ser um pesadelo, o show de vocês é, na verdade, o sonho de qualquer pessoa de bom gosto musical. Além disso, “Deus” raramente é presente em pesadelos.  

Por Paula Febbe

Set List:
Iron Fist
Stay Clean
Be My Baby
Rock Out
Metropolis
Another Perfect Day
Over The Top
One Night Stand
You Better Run
I Got Mine
(Solo Phil Campbell)
The Thousand Names of God
In The Name Of Tragedy (Solo Mikkey Dee)
Just ‘Cos You Got The Power
Going To Brazil
Killed By Death
Bomber
Bis
Whorehouse Blues
Ace Of Spades
Overkill

 

Primeiro vídeo de Motorizer