Arquivo mensal: fevereiro 2012

Intimidade

Lembro de uma vez em que estava apaixonada e deitada na cama com o homem amado. Acreditava que uma vida toda não seria o suficiente para saciar a grandeza daquilo que eu sentia.

Fato é que, no final das contas, houve vida de sobra.

Paula Febbe

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Bilhete de Suicídio

Este é um bilhete de suicídio, mas não, não vou me matar.

Meu suicídio é ideológico, por isso faço o suficiente para que tudo que é meu se vá. Livro-me agora dos começos, dos meios e dos fins. Tanto os meus, quanto os que adquiri de todos que já encontrei.

Em meu suicídio ideológico, encontro o centro. Nele prevalece a consciência de minhas mãos, minhas pernas, e de minha ofegante respiração, enquanto a diária e armada luta contra mim mesma se dispersa sem perceber.

Em meu suicídio, provo que há fim no que não é neutro, e probabilidade no que nunca aconteceu.

No fim, garanto que a vida nunca foi o suficiente para atingir minha solidão. Pouco do que existe é suficiente para atingir este retiro que faço questão de cultivar tão veementemente a cada abrir de olhos de pequenas piscadelas.

Do fim, me alimento.

Diariamente.

Boa sorte!

Bom dia!

Paula Febbe

O Sintoma da Sacolinha

Costumo não falar sobre política. Tenho minhas crenças, mas não gosto de “pregar” opiniões. Acontece que muita coisa, no Brasil e, principalmente em São Paulo – onde moro – tem me feito sentir vontade de expor algumas palavras, sim!

Acho muito perigoso quando os governantes começam a levantar “bandeiras nobres”. Covardia enorme usar o que há de bom nas pessoas para manipulá-las. Abuso de poder? Afinal, belo acordo entre governo e a máfia dos mercados. Sustentabilidade? Então presumo que não acondicionaremos mais o lixo em sacos plásticos. Creio que se esta fosse a questão, os mercados não comercializariam as “terríveis” sacolas plásticas… Ah! Mas se sair do bolso do consumidor, tudo bem. Genial ideia para a “sustentabilidade” financeira dos mercados. Tenho consciência do quanto é importante cuidarmos do nosso planeta, mas assim? Insisto…Não usaremos mais sacos de lixo? Não haverá mais sacolinhas? Não, elas continuarão desde que sejam pagas! Muito bem!

No Brasil, país de monarquia em desuso, segue-se outro “Príncipe”, o de Maquiavel. Os fins, cada vez mais, justificam os meios.

Não podemos esquecer que o nazismo também levantava uma “bandeira nobre”. Faria os alemães “morarem bem” e melhoraria muito a economia do país. Só que o povo não sabia o preço que pagaria para isso.

O Brasil tem exposto a falta de bom senso ao nível máximo e nós temos acatado.

A “sacolinha” deixou de ser apenas uma “sacolinha” e hoje serve como símbolo de um sintoma que acontece em absolutamente todas as áreas do país.

Para quem trabalha com música, como eu, por exemplo: Temos de lidar com a Ordem Brasileira dos Músicos e ECAD. Hoje foi até divulgada uma cobrança de ICMS em cima de um Grammy recebido por um dos maiores produtores musicais brasileiros. Isso apenas para citar alguns poucos dos muitos absurdos.

Uma pseudo ordem para um pseudo progresso que parece nunca acontecer.

Escrevo, pois essa é minha arte e acredito no poder da palavra. Também creio que as redes sociais estão, realmente, sendo responsáveis por discussões democráticas que não aconteciam há alguns anos.

Quem sabe agora, começando por percepções escritas, possamos mudar o que acreditamos ser muito errado.

Vamos deixar de esquecer?

Vamos conversar?

Paula Febbe