Arquivo mensal: abril 2010

Qual trilha sonora acompanharia o sonho mais louco que você já teve?

MEDESKI, MARTIN AND WOOD

Direções inesperadas?

Trilha sonora de um sonho surreal?

Qualquer definição seria pouco para o sólido talento dos músicos!

O trio Medeski Martin & Wood pode ser considerado uma das mais gratas surpresas das duas últimas décadas. Com eles, nenhuma verdade musical é absoluta e nenhum estilo está sozinho. Paisagens sonoras transferem os pensamentos dos músicos a um palco que se torna tão singular em cada apresentação quanto os sons extraídos dos instrumentos pela grandiosa capacidade dos artistas.

 Se puder, assista a um dos shows deles que acontecerá em São Paulo nos dias 11,12 e 13 de maio. Não será tempo perdido.

Para conhecer um pouco mais sobre eles

Formado há 19 anos por John Medeski (“mestre do órgão Hammond”), Chris Wood (baixista que chegou a ser comparado a Charles Mingus!) e Billy Martin (bateria, percussão e pintura nas horas vagas), o grupo surpreende a cada apresentação e mostra nestes três shows uma coletânea da carreira.

Egressos de formações novaiorquinas de vanguarda, os músicos têm como referência (só para citar alguns) os trabalhos de Thelonius Monk e John Coltrane (tanto que o primeiro nome extra-oficial da banda era Coltrane’s Wig) e são apontados por muitos como “o novo caminho do jazz”, por sua qualidade e experimentalismo.

Uma boa mostra disso é o elogiadíssimo “Shack-Man”, gravado em uma cabana na selva da ilha de Maui, no Hawaii, que revela toda a competência da banda, atestada também nas gravações dos outros cds lançados e nas participações feitas com Iggy Pop, “Avenue B”, com o “mago” John Scofield, “A Go-Go” e em vários flertes com a música eletrônica de Dj Logic. Tiveram também uma coletânea de seu período mais criativo lançada no Brasil pela Trama, “Last Chance To Dance Trance 1991-1996”. 

 John Medeski 

Nascido Anthony John Medeski em Louisville, Kentucky, tem 39 anos. É chamado por Iggy Pop de “o mestre do Hammond”, imprimindo seu timbre vintage também no piano, órgão, clavinete, wurltizer, escaleta e sintetizador. Tem como influências os músicos: Larry Young, Miles Davis, Thelonious Monk, Bud Powell, Art Tatum, Weather Report, Art Ensemble, Stevie Wonder e John Coltrane.

 Martin

 Nascido William Hugh Martin, Billy Martin tem 40 anos é baterista e percussionista com influência das músicas brasileira (chegou a ter um grupo de samba chamado “Batucada” e esteve por aqui fazendo shows por dois anos) e africana. Além de baterista, “illy B”, como gosta de assinar, é um pintor diletante, tendo feito várias ilustrações primitivistas para as capas e encartes dos CDs da banda. Suas grandes influências são: Frank Zappa, Kiss, Zeppelin, Aerosmith, Sly Stone, James Brown e Jimi Hendrix. E seus dois grandes heróis, Jacques Cousteau e Jonh Denver.

 Chris Wood:

 Nascido Christopher Barry Wood, é o baixista da banda. Seu estilo chegou a ser comparado ao do mestre Charles Mingus, de quem é fã. Suas outras influências são Paul Chambers, Ray Brown, Jaco Pastorius, Marcus Miller e Jeff Jacobsen, além de Dave Holland, de quem foi aluno.

 Paula Febbe

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Lucille e todos nós.

       

   

        Fui assessora de imprensa da última turnê de B.B. King e posso dizer que trabalhar com o Rei do Blues foi uma experiência única. Algo que levarei com carinho até meus últimos dias de vida.

           Bom…B.B. King é “o cara” !  Sei que essa expressão nada original deve remeter logo a alguém bêbado com o braço enrolado no pescoço de um amigo gritando isso aos quatro ventos, mas dessa vez, não tem jeito. “O cara” é a única frase que pode, pelo menos, se equiparar ao que B.B. King representa. Ele é o “cara” que nossos ídolos sonhavam ser, ver e ouvir. “O cara” com quem “caras” como Eric Clapton tocaram e John Lennon sonhavam em tocar.

           No palco, B.B. ainda tem domínio sobre o público e uma voz impecável. Mas sem querer ser uma feminista chata, pessoalmente, o que mais me admirou em Mr. King foi ver de perto o respeito com que ele trata as pessoas e em especial, as mulheres. Ele diz gostar de nós em todos os shows que faz, mas com uma coerência improvável e não correspondente aos homens que geralmente dizem isso, não trata nenhuma mulher com indiferença…Nem homem, na verdade. Beija e deixa-se ser beijado por absolutamente todos que se aproximam.

         B.B. é praticamente um rapper inverso (e isso inclui o fato de ter muito dinheiro e não ostentar nada em momento algum, muito pelo contrário). Além disso, o espetáculo dele consegue ser de um minimalismo grandioso. Pois é! B.B. King faz o impossível acontecer diante de nossos olhos.

         Agora que conheci a lenda vida do blues pelos bastidores, o admiro muito, mas também admiro a equipe que trabalha com ele. O segurança John, por exemplo, tem uma tatuagem de sua mãe no braço e queria voltar para casa e cuidar dos girassóis que seus netos haviam lhe dado. A delicadeza é real e absolutamente ninguém ali se esquece de onde veio. Talvez a magia duradoura esteja nesta essência.

          Na coletiva de imprensa foi quando abracei B.B. pela primeira vez. Antes de tirarmos uma foto juntos, ele me disse: “Abrace-me como se você gostasse muito de mim!”. Então o abracei. E por meio de mais uma antítese, ele nunca fez ideia do quanto realmente gostei dele.

         Grande Lucille! Agora sei como ela não cansa de acompanhar B.B. há tantos anos…

Paula Febbe