Arquivo mensal: maio 2009

A liberdade

Hoje conheci Andrej Raider, um russo de 23 anos que viaja o mundo a pé (sem patrocínio nenhum) para disseminar as idéias de paz e liberdade.

Sabe, já achei que minha liberdade estivesse em outro país, em outra casa, nos braços de alguém que amei, nos braços de alguém que nunca gostei, no conforto de um emprego estável, numa mesa de bar, em conversas com amigos, em conselhos errados, na intimidade de geladeiras alheias, em lojas de roupas inovadoras, em dizer o que pensava, em bebidas com cafeína, em chegar tarde em casa, etc, etc…

Grande engano!

Levei tempo para descobrir que minha liberdade está em minha solidão…

Que bom! 

Já pensou onde está a sua?

Eddie Vedder – Society – Trilha sonora do filme “Into the Wild”

É um mistério para mim
Nós temos uma ambição em que concordamos.
E você pensa que você tem que querer mais do que precisa.
Até você ter tudo,você não estará livre.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.

Quando você quer mais do que tem, você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que quer, seus pensamentos começam a sangrar.
“Acho que preciso encontrar um lugar maior”
Pois quando você tem mais do que imagina, você precisa de mais espaço.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim.

Tem aqueles achando, mais ou menos, que menos é mais
Mas se menos é mais, como você mantém um placar?
Quer dizer que pra cada ponto que faz, seu nível cai…
É como começar do topo
Você não pode fazer isso.

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim.

Sociedade, tenha piedade de mim
Espero que não fique brava se eu discordar
Sociedade, realmente louca
Espero que não esteja solitária sem mim

Paula Febbe

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Brody Dalle = Zelig ?

Não sei se muitos de vocês já chegaram a ouvir o último trabalho de Brody Dalle. Aí está a banda Spinnerette :

Legal, né? Legal! O lance é : Vamos comparar ao que Brody fazia e era antes…

Legal, né? Legal!

Enquanto fazia o segundo som aqui apresentado, Brody estava casada com Tim Armstrong (Transplants, Rancid)

Agora, ela está casada com Josh Homme  (vocal do Queens of the Stone Age)

Pergunta 1 : Seguindo a lógica (e a semelhança) do estilo que Brody seguiu, podemos dizer que ela é uma “Zelig” do rock que adapta seu som a partir da pessoa com quem ela está casada?

Pergunta 2 : Josh Homme está para o Distillers como Yoko está para os Beatles?

Por Paula Febbe

Álbuns que mudaram minha vida.

Nirvana – Nevermind

Apesar de me sentir extremamente mal em escolher um clichê para representar o primeiro álbum de grande influência em minha vida, a importância de “Nevermind” para mim, não poderia ser ignorada. A primeira vez em que ouvi Nirvana foi pelo conselho de um amigo meu que ficava, insistentemente, me dizendo o quanto Kurt era genial em suas letras. Resolvi ouvir. Viciei. Quando o Nirvana surgiu, parecia algo tão distante… Mal sabia eu que a realidade de Kurt e o discurso do grunge era o que havia de mais próximo do que era verdade para mim! Com o primeiro acorde óbvio de Cobain, percebi que a música era muito mais do que virtuose ou afinação: Era feeling. O sofrimento nada gratuito de conflitos encarados com muito sarcasmo ajudou a moldar meu senso de humor e minha maneira de encarar a vida.

NIRVANA – BREED

http://www.youtube.com/watch?v=0Jv-JTYxWeo&feature=related

 

4 non blondes – Big, better, faster, more!

 Sim! Uma “one hit wonder”… Na verdade, para mim, o “Four Non Blondes” foi muito mais do que isso. Ouço o disco praticamente toda semana até hoje, menos a “What´s up”, definitivamente não agüento mais ouvir essa música e acho que sempre foi a menos impressionante da banda. Foi a primeira vez em que ouvi uma mulher cantar com tanta verdade em sua voz e me apaixonei por aquela atitude. Linda Perry, até hoje, é uma grande vocalista e compositora para mim. Todos deveriam ouvir novamente este álbum e reavaliá-lo (se conseguirem achá-lo).

4 NON BLONDES – SUPERFLY

http://www.youtube.com/watch?v=jH1wEgzf9HI

 

Queen – News of the World

A primeira coisa a me impressionar neste disco foi a capa. Não lembro quantos anos eu tinha quando vi este álbum pela primeira vez (algo em torno de cinco ou seis), e lembro até hoje de ter ficado extremamente impressionada com as gravuras dos membros da banda sendo mortos por um robô de expressão nula. Tinha medo de que isso acontecesse de verdade um dia. Naquela época, ainda tão nova, me parecia triste demais a hipótese de perder alguém da minha família e queria passar longe destes pensamentos, por isso, levou um bom tempo até que eu tivesse coragem de ouvir um dos discos preferidos de minha mãe. Quando finalmente o coloquei na vitrola, a idéia que tinha do que seria o Queen mudou dentro de mim. Percebi que a música era forte, mas carregava uma ternura difícil de explicar. Hoje eu entendo que tal ternura estava contida na voz de Freddie Mercury.

QUEEN – MY MELANCHOLY BLUES

http://www.youtube.com/watch?v=XCuCCms6YYc

 

Yes – The Yes Album

 Hoje, lembro que quando era criança, estranhei faixas tão grandes em um disco com poucas músicas, gostei muito da primeira parte de “I´ve seen all good people” e levantava a agulha da vitrola quando a música ficava instrumental. Foi assim que descobri que não gostava muito de rock progressivo.

YES – I´VE SEEN ALL GOOD PEOPLE

http://www.youtube.com/watch?v=8EBqTt5xbXU

 

Pink Floyd – The Wall

Como disse anteriormente, não gostava muito de progressivo, porém sempre achei Pink Floyd uma banda diferente de todas as outras. Lembro de assistir ao vídeo de “The Wall” com as crianças virando salsichas e achar aquilo engraçado. Também adorava o fato dos alunos se revoltarem contra a escola e os professores. Naquela época, o colégio era tudo o que eu tinha para “não concordar” e eu gostei muito dessa idéia.

PINK FLOYD – ANOTHER BRICK IN THE WALL – PART II

http://www.youtube.com/watch?v=LUASiDg-kg4&feature=related

 

 Nirvana – In Utero

Acho que a maior diferença de “In Utero” para os outros discos do Nirvana, é que ele fala muito sobre a mulher e deixa explícita a importância da figura feminina para Kurt. Por isso, é com extremo respeito que cito este álbum. Ele me fez perceber que existem homens que se importam com as mulheres, nos entendem, ressaltam nossas virtudes e nos protegem quando necessário. Pena que naquela época muita gente ainda achava que “Rape me” era pró-estupro e que Kurt usava vestidos só de brincadeirinha… Talvez o primeiro grito feminista de grande repercussão tenha vindo de um bonitão e muita gente nem tenha se dado conta.

NIRVANA – HEART SHAPED BOX

http://www.youtube.com/watch?v=SK7Ai9dWrRQ

 

Alanis Morrissete – Jagged Little Pill

Estava no colégio quando Alanis chegou aos walkmans de todos. “Jagged Little Pill” tinha virado febre entre eu e minhas amigas. Ouvia dia e noite, sem parar. Achava Alanis forte, brava e barulhenta. Tudo o que eu queria ser naquela época… Depois de ouvir os outros discos da cantora, entendi que Alanis era, na verdade, uma menina doce e que aquele álbum era só uma face revoltada de alguém que havia levado um pé na bunda. Que pena…

ALANIS MORISSETTE – YOU OUGHTA KNOW

http://www.youtube.com/watch?v=dR6mEu5-egA

 

Janis Joplin – Cheap Thrills

Estava morando nos E.U.A. quando resolvi comprar meu primeiro CD da Janis Joplin. Não sei dizer por quê. Ninguém que eu conheci ouvia, mas um dia passei por uma loja, vi o CD e achei que era a hora de “conhecer” a cantora. Junto com esta vontade, veio a necessidade de entender mais a vida dela. Fui atrás de tudo sobre Janis e posso dizer que sua história fez tanto significado para mim quanto cada nota de “Summertime”. Divino!

JANIS JOPLIN – SUMMERTIME

http://www.youtube.com/watch?v=mzNEgcqWDG4

 

Led Zeppelin – Led Zeppelin III

O disco preferido da minha banda preferida! Pra mim, a perfeição no rock n´roll. Tive contato com o som do Led Zeppelin desde muito nova. Meu pai tinha todos os discos e eu lembro de olhar incansavelmente cada uma das capas. Desde aquela época, o Led exercia um fascínio sobre mim que eu não sabia explicar. Nunca conheci minha vida sem “Stairway to Heaven”, mas depois de conhecer o Led Zeppelin III, vi que não estava conhecendo apenas uma banda, mas a banda da minha vida. Todas as faixas se complementam e trazem o melhor do rock n´roll com o melhor do blues. “Since I´ve been loving you”, faixa quatro do CD, é a melhor música do mundo pra mim, e duvido que isso, algum dia, vá mudar.

LED ZEPPELIN – SINCE I´VE BEEN LOVING YOU

http://www.youtube.com/watch?v=wEiyGgWt6no

 

AC/DC – Highway to Hell

Assim que ouvi os acordes de “Highway to Hell” pela primeira vez, quis saber que banda era aquela. Escolhi este álbum como o mais importante do AC/DC, pois prefiro Bon Scott nos vocais, mas não desmereço Brian Johnson. Mesmo que algumas pessoas digam que AC/DC parece uma banda de uma música só, acho que é “uma música” que faria muito falta se não existisse no rock n´roll.

AC/DC – HIGHWAY TO HELL

http://www.youtube.com/watch?v=VT2wKBkpUis

 

The Beatles – The Beatles (The White Album)

Sempre tive uma relação de amor e ódio com o som dos Beatles. Quando era mais nova, tinha uma simpatia pela banda (mesmo sem conhecer muito). Músicas como “Help” me agradavam, mas eu não entendia o motivo de tanto fanatismo. Ao ouvir “The White Album” comecei a entender. A primeira vez que ouvi “Helter Skelter”, tive a sensação de que não estava ouvindo uma música dos Beatles – em parte por minha preconceituosa idéia sobre o tipo de música que eles haviam feito e pelo tipo de banda que haviam sido. Grande engano! Foi aí que comecei a entender a falta de rótulos que o nome “Beatles” merecia. Alguém que faz uma música chamada “Everybody´s got something to hide, except me and my monkey” (Todos tem algo a esconder, exceto eu e meu macaco) deve ser muito idiota ou brilhantemente inteligente. Em qualquer um dos casos, alguma atenção é bastante merecida.

THE BEATLES – HELTER SKELTER

http://www.youtube.com/watch?v=OM9KRpEkGfY

 

 The Black Crowes – The Southern Harmony and Musical Companion

Você já ouviu falar de rock n´roll? Não estou falando de heavy metal, new metal, hardcore, emocore, punk, hard rock ou qualquer outro tipo de rótulo “rock”. Estou falando sobre rock n´roll em sua mais pura forma. Com tantas ramificações, fica difícil achar o rock n´roll sem adjetivos hoje em dia, né? Pois foi exatamente o rock purista que eu descobri com o Black Crowes. Mesmo que Chris Robinson lembre muito Rod Stewart no Faces, mesmo que os irmãos Robinson tenham tantos atritos quanto os irmãos Gallagher. “The Southern Harmony and Musical Companion” aprimorou meu gosto musical e me fez perceber que o rock não precisa ser nada além de rock.

THE BLACK CROWES – BLACK MOON CREEPING

http://www.youtube.com/watch?v=_-UfrH0iitU

 

Tool – Undertow

A primeira vez que ouvi Tool foi dentro do carro de alguns amigos meus. Eles colocaram o CD e eu não imaginava que banda poderia ser aquela. Como uma solidariedade à minha ignorância, um deles resolveu gravar Undertow para mim. Até hoje, acho difícil colocar o Tool em alguma categoria específica dentro do rock. Pra mim, não é apenas uma banda, mas uma manifestação artística.

TOOL – SOBER

http://www.youtube.com/watch?v=Zw3FTiWRXF8

 

The Raconteurs – Broken Boy Soldiers

Ouvir “Broken Boy Soldiers” mudou minha percepção sobre o rock atual. O Raconteurs usa grandes nomes do rock como referência, mas consegue fazer um som absolutamente novo e isso é raro. Com este disco, percebemos que uma evolução da música realmente aconteceu. Ainda hoje, a audição saudosista de uma banda que eu nunca havia escutado traz lembranças de sentimentos que eu não sabia ter sentido. Graças a Jack, agora eu sei.

THE RACONTEURS – BLUE VEINS

http://www.youtube.com/watch?v=Zy5Uyo-gaEo

 

Radiohead – OK Computer

Lembro de assistir aos vídeos de Paranoid Android, Karma Police e No Surprises na MTV e achar tudo aquilo meio perturbador. Depois de ouvir “OK, Computer”, percebi que os clipes eram fichinha perto do quão perturbador poderia ser ouvir o álbum completo sem nenhuma pausa. Não desejo essa angústia para ninguém, ao mesmo tempo em que acredito que todos com o mínimo de consciência deveriam passar por ela, pelo menos uma vez na vida. Você é feliz ou satisfeito com sua vida? Caso a resposta seja positiva, ouça “OK, Computer” e depois venha me responder.

RADIOHEAD – KARMA POLICE

http://www.youtube.com/watch?v=M2F9jG454g0&feature=fvsr

 

Alice in Chains – Acústico

Ganhei o disco de presente e comecei a ouvi-lo com “Would”. Claro! Quem não começou? Passei um final de semana inteiro escutando a mesma música e tentando entender a perturbação apática presente na voz de Layne Staley. Depois de saber um pouco mais sobre seus problemas, cheguei mais perto de compreender toda aquela atmosfera. Quando finalmente decidi ouvir o álbum completo foi um soco no estômago. Havia tristeza, havia dor, mas acima de tudo, havia o retrato do peso de uma geração. Apesar de ele ser o vocalista principal, neste disco, a voz de Layne aparece como um eco sofrido da voz de Jerry Cantrell. Em minha opinião, este e o acústico do Nirvana mostram o pior tipo de perturbação de um ser humano: a conformada. Tanto Layne quanto Kurt poderiam virar os donos do mundo, ainda assim, isso não faria muita diferença para eles. Os problemas de ambos vinham de muito antes e eram profundos demais pra qualquer coisa boa fazer alguma diferença. Talvez por isso, a atmosfera do acústico tenha contribuído para deixar a perturbação de Layne ainda mais evidente e o álbum ainda mais genial.

ALICE IN CHAINS – WOULD

http://www.youtube.com/watch?v=Ikdg3hJXEYE

 

Por Paula Febbe

How much difference does it make?

Tudo que te frustra no dia-a-dia…Quanta diferença realmente faz na sua vida?

Abaixo, “Indifference –  Pearl Jam” para resumir este pensamento.

Por Paula Febbe