Arquivo mensal: junho 2010

O show mais pesado do mundo!

Mark Lanegan – Comitê Club – 24/06/2010

 

          O show de Mark Lanegan foi, provavelmente, o mais pesado que já vi.

 

          A voz que é um trovão sempre carrega seguidores que secretamente se orgulham de seus tempestuosos passados, o que também ajuda no clima de qualquer aparição que ela faça. Uma pessoa tremendamente feliz ou satisfeita simplesmente não estaria lá. Se estivesse, seria para estudar…

 

          Em pouco tempo, o Comitê Club foi tomado por ocultos “Gastões”, “Massaris”, “Maias”, e até mesmo pelos próprios. Enciclopédias musicais que trombavam com eternos grunges pelos recém pintados corredores.

 

         Conversas paralelas diziam sempre a mesma coisa: Ele nunca fez nada ruim.  “Screaming Trees”, carreira solo, “Mad Season”,  “Queens of the stone age”… Pois é! Ele realmente nunca fez nada ruim.

 

        Monocromático, Mark subiu ao palco com uma camisa azul marinho e calça jeans. Enquanto isso, uma luz (também) azul insistia em tentar iluminar os profundos olhos do cantor… Em vão, claro.

 

        O ídolo da noite foi acompanhado apenas pelo som de um violão, tocado de forma muito competente por Dave Rosser. Emocionalmente carregado e com ocultas tatuagens que demonstram uma história toda de perdas, dores e inconstâncias, Lanegan quase não falou com o público e não voltou para o bis. E tudo bem, se ele voltasse é que seria estranho.

 

           Logo após a saída da dupla do palco, o Comitê Club foi invadido por luzes brancas que pareciam fortes demais e pelo som de uma música do The Doors, que apesar de honesta, nunca pareceu tão fora de contexto. Então fui embora, evitando o fim e tentando entender o impacto que a densidade verdadeira do trabalho de Lanegan havia tido sobre mim.

 

       Ironicamente, antes do show, encontrei com um velho amigo e conversamos sobre como é bom diferenciar a arte que fazemos de nosso trabalho do dia a dia. “É bom deixar sua alma fora disso”, ele disse. Engraçado… Já saí do show, mas não sei se algum dia o show sairá de mim.

 

 

P.S: Nos anos 90, um jornalista ruim da MTV americana disse para Lanegan que o cigarro “o mataria” e “acabaria com a voz”. Bom, quase vinte anos depois, a voz dele vai MUITO BEM…

Obrigada!

 Paula Febbe

Os abutres tortos e o p.s. sobre elefantes

John Paul Jones, Dave Grohl, Josh Homme

Sabe…Existem muitas bandas boas neste mundo, mas não consigo lembrar da última vez em que respirei fundo, tomada por uma sensação total de alívio após ouvir um disco que, ironicamente, não houvesse sido retirado de alguma coleção empoeirada de meu pai ou que tenha sido gravado nos anos 90 e redescoberto por mim nos anos 2000.

Após o último grande show do Led Zeppelin (aquele que aconteceu em Londres na Arena O2 em 26 de novembro de 2007), confesso que tive esperanças de que a banda realmente pudesse voltar a se juntar e fazer turnês. Infelizmente, a possibilidade não passou de um sonho deixado de lado por Robert Plant em prol de um projeto (muito bom também, diga-se de passagem) com Alison Krauss. Além disso, não podemos negar que talvez tenha havido um mini medo do cantor de se propor a fazer algo que já ficou (muito bem, obrigado!) em um passado distante. Justo.

Maaaas a favor da vontade de voltar às turnês, JOHN PAUL JONES, ex Led Zeppelin, resolveu apostar em dois de seus talentosos seguidores e formar uma daquelas coisas que chamamos de “supergrupos”. Com Dave Grohl (ex NIRVANA, atual Foo Fighters) e Josh Homme (Queens of the Stone Age e Kyuss) foi que John formou a banda “Them Crooked Vultures”.

A pergunta é: Você já ouviu o CD inteiro dos caras do começo ao fim? Se ainda não, dê à sua percepção musical uma nova face e vá fazer isso assim que terminar de ler este post! Por favor…

O “Them Crooked Vultures” me elevou a um tipo de Nirvana musical (sem trocadilhos) assim que o terminei de ouvir. Cheguei a perceber que talvez ainda exista um alto nível no rock. Ufa!

A música deles é tão competente que dói. Juro! Vai querer fazer você enfiar o seu cover de Stairway to Heaven do Luau de Santos onde o sol não brilha.

Finalmente parei de desejar ter nascido nos anos 60, 70 ou ter prestado mais atenção nos anos 90 para que pudesse ter visto alguma boa banda de rock nascer!

O ano de 2010 tornou-se marcante não só porque o “Them Crooked Vultures” se realizou, mas porque este projeto foi o nascimento mais experiente e calejado de artistas que já eram nada menos do que geniais em projetos anteriores.

Algo como um “supergrupo” abre novo caminho para aquele grandes músicos que chegaram a níveis de deuses e intocáveis mitos que só poderiam ser reverenciados ao vivo pelo público se fizessem uma turnê com a mesma mítica e intocável banda (pouco provável) ou com um projeto Jazz-Blues-Soul-Funk-R&B -Country- Progressivo-Experimental que só os próprios músicos conseguiriam ouvir.

Se nossos ídolos quiserem continuar a fazer algo no mesmo clima do que eles já fizeram há 30 ou 40 anos atrás, ninguém vai reclamar. Além disso, é bem capaz que eles acabem sendo acompanhados por músicos a quem eles, diretamente, influenciaram. Isso não é lindo?

Preste atenção, principalmente, em “No One Loves Me and Neither Do I”, “Scumbag Blues” e “Elephants”.

Apenas um adendo:

Pata de Elefante

The White Stripes – CD Elephant

Them Crooked Vultures – Música Elephants

Isso DEVE significar alguma coisa…

Paula Febbe