Arquivo mensal: abril 2012

Aquela Antiquada Anarquia

O texto a seguir é a pequena parte de uma exposição que farei com o fotógrafo Roger Sassaki.

Mais informações em breve…

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Meu fanatismo pelo fanatismo acabou.

Tenho, hoje em dia, vergonha de minha hibernação tolerante.

A anarquia não funciona mais para mim, pois creio que ela não seja nada além de vaidade. Algum tipo de admiração que aparece pelo encantamento ideológico de seu próprio exagero retórico.

Skinheads brasileiros;

Punks que trabalham das oito às seis.

Como ironia de tal vaidade, meu delineador, até hoje, serviu como adorno de minha consciência sexual, o que claramente, na visão dos que não o usam, exclui minha possibilidade de alguma inquietude social.

Acontece que tal relação não existe. E foi por perceber que você me reduz a isso que agora, realmente, não vou mais com a sua cara. O que seria do Femen se ele dependesse deste reconhecimento? Mulheres loiras não sentem, não pensam, não são. Não é isso que diz alguma piada que você tem na ponta de sua língua?

Para estes preconceitos toleráveis vestidos de pessoas, quero esclarecer:

Você não sabe as marcas que minha maquiagem esconde;

Você não sabe o que já passei entre minhas pernas para mantê-las, com um salto 15, bem longe do chão por onde você cospe para exibir sua masculinidade;

Você não sabe que o sofrimento humano não está geograficamente delimitado na Zona Leste de São Paulo ou em um morro do Rio de Janeiro;

A sua rejeição me trouxe uma epifania social!

Final da adolescência teimosa, tardia e ignorante em querer agradar quem só enxerga a força quando ela é bruta e masculina.

Demorou, mas a seriedade xiita tornou-se uma piada para mim, exatamente assim que me percebi uma piada para ela.

Agora, graças a você, a cada piscar de meus olhos, acordo, e começo cada dia com um grande espelho à minha frente e uma legião de palavras e ideais de mentirinha colocados, exatamente, sob aquele scarpim que você tanto detesta.

Paula Febbe

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