Rough

Rough would be the invader of my time, based on any sketch I´d have known.

Rough would be challenging my life with truths and craving every creative thought on a daily planner.

My next great idea will never be known;

My next great son will never be born;

My next great sobriety will be commonly alone.

Paula Febbe

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Even In His Mouth

Even In His Mouth.

Even in his mouth I could have been.

Even with theories about my eyelashes;

Even with lack of selfhelp plans;

Even with the heavenly side of my country.

My regards would´ve made me better. Much better than the feelings of his hands on her…

I don´t know why him;

I don´t know why me;

I don´t know why New Yorkers who were born somewhere else…

…still the words on his trigger keep on motivating my deepest breaths.

Paula Febbe

Minha inútil antipatia

Um pedido de desculpas assim dessa forma… Desculpe você, mas não posso aceitar.

 

Simplesmente porque não há nada o que desculpar. A não ser a sua ausência.

 

O maior mistério em mim é que não existe mistério algum. Coloque os meus óculos e enxergue o que qualquer um pode ver.

 

E no entando você insiste. Insiste em dizer que sou aquilo que você ainda não sabe nomear. E isso te fascina.

 

Por favor, não pare. Especialmente quando estivermos sozinhos no centro do nosso mundo e o final de uma dança supostamente anunciar que tudo terminou. Para nós, não. A última nota indica que é hora de você me abraçar. Deixe que nos vejam e que não entendam.

 

Respondo o seu silêncio com o meu sorriso.

 

Seu amor e sua delicadeza são baseados na dor. Tudo bem. É que antes não nos conhecíamos…

 

Mateus Campos

Minha útil simpatia.

Meu romance é áspero.

Por isso, já peço desculpas antecipadas.

Meu amor, mais do que nunca, é baseado na dor. Mas não é culpa dele. Foi só o que ele conheceu.

Sei a razão das perguntas que você me faz e se pudesse escolher, não te responderia nada.

O silêncio é realmente muito útil, pois só ofende os atentos.

Enquanto isso, todo meu processo está naquilo que você ainda não viu.

A possibilidade é um monstro quando, finalmente, se abre à frente de alguém que acreditava não ter possibilidades.

Por isso, guarde qualquer vaidade sem freio na noite de uma dança que duvida ter existido e só então venha tomar comigo um café da manhã. A partir de então, estarei sempre pronta para lambuzar sua boca com verdades silenciosas que você achava que minha ternura  nunca seria capaz de perceber.

Porém, minha ternura é áspera.

Por isso, já peço desculpas antecipadas.

Minha delicadeza, mais do que nunca, é baseada na dor. Mas não é culpa dela. Foi só o que ela conheceu.

Paula Febbe

Crítica sobre o “Relato Inspirado por Orelhas”

Gostaria de compartilhar a opinião do crítico literário Anderson Borges Costa sobre meu livro de estreia, “Relato Inspirado por Orelhas”, lançado no ano passado. Fiquei feliz. 🙂

“Bela estreia na literatura! Narrado em primeira pessoa, o texto é todo subjetivo, internalizado – como uma esponja, que absorve a realidade exterior sugando-aprofundamente.

A prosa (poética) é cubista – fragmentada, com partes aparentemente soltas e desconexas. No entanto, ao avançar na narrativa, percebe-se que os cacos vão se juntando, os fragmentos se revelam, na verdade, uma metáfora das separações, dos divórcios, dos rompimentos, dos desencontros e das mortes que estraçalham a vida da narradora. Neste sentido, a orelha reforça a metáfora, pois é, aparentemente, um órgão solto, que, em seu íntimo, está sempre em busca de juntar (pelo sábio ato de ouvir) os cacos do corpo, ou seja, da vida (desintegrada).

O livro, já pelo título, é “metonimizado” na orelha. Por que será que o objeto livro Relato Inspirado por Orelhas não tem orelha? Foi proposital? Para mim, sugeriu uma violência, uma extirpação, que se reflete nas perdas da narradora. No entanto, embora o livro sugira algo não para ser lido, mas para ser ouvido (portanto destinado não a um leitor, mas a um ouvidor), há, espalhados por suas páginas, narizes, bocas, olhos e mãos. Todos os cinco sentidos estão representados neste caos de vida.

Na descrição seca e melancólica, a narração tem um tom filosófico que remete a um existencialismo um tanto niilista, como o de Clarice Lispector. Paula Febbe escreve sem clichês. Há, ao contrário, achados interessantes, como “fotossíntese mental” (página 78). O livro é um meio que fala sobre o fim, inclusive iniciando-se pela “Conclusão”. E a paciência da personagem Cristina é a virtude associada à loucura de um Van Gogh. Em Relato Inspirado por Orelhas, a paciência é uma “natureza morta”.

Em síntese, o livro é envolvente, sem deixar de causar estranhamento. O final deixa um gosto amargo no leitor, portanto, duradouro.”

Aquela Antiquada Anarquia

O texto a seguir é a pequena parte de uma exposição que farei com o fotógrafo Roger Sassaki.

Mais informações em breve…

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Meu fanatismo pelo fanatismo acabou.

Tenho, hoje em dia, vergonha de minha hibernação tolerante.

A anarquia não funciona mais para mim, pois creio que ela não seja nada além de vaidade. Algum tipo de admiração que aparece pelo encantamento ideológico de seu próprio exagero retórico.

Skinheads brasileiros;

Punks que trabalham das oito às seis.

Como ironia de tal vaidade, meu delineador, até hoje, serviu como adorno de minha consciência sexual, o que claramente, na visão dos que não o usam, exclui minha possibilidade de alguma inquietude social.

Acontece que tal relação não existe. E foi por perceber que você me reduz a isso que agora, realmente, não vou mais com a sua cara. O que seria do Femen se ele dependesse deste reconhecimento? Mulheres loiras não sentem, não pensam, não são. Não é isso que diz alguma piada que você tem na ponta de sua língua?

Para estes preconceitos toleráveis vestidos de pessoas, quero esclarecer:

Você não sabe as marcas que minha maquiagem esconde;

Você não sabe o que já passei entre minhas pernas para mantê-las, com um salto 15, bem longe do chão por onde você cospe para exibir sua masculinidade;

Você não sabe que o sofrimento humano não está geograficamente delimitado na Zona Leste de São Paulo ou em um morro do Rio de Janeiro;

A sua rejeição me trouxe uma epifania social!

Final da adolescência teimosa, tardia e ignorante em querer agradar quem só enxerga a força quando ela é bruta e masculina.

Demorou, mas a seriedade xiita tornou-se uma piada para mim, exatamente assim que me percebi uma piada para ela.

Agora, graças a você, a cada piscar de meus olhos, acordo, e começo cada dia com um grande espelho à minha frente e uma legião de palavras e ideais de mentirinha colocados, exatamente, sob aquele scarpim que você tanto detesta.

Paula Febbe

Intimidade

Lembro de uma vez em que estava apaixonada e deitada na cama com o homem amado. Acreditava que uma vida toda não seria o suficiente para saciar a grandeza daquilo que eu sentia.

Fato é que, no final das contas, houve vida de sobra.

Paula Febbe

Bilhete de Suicídio

Este é um bilhete de suicídio, mas não, não vou me matar.

Meu suicídio é ideológico, por isso faço o suficiente para que tudo que é meu se vá. Livro-me agora dos começos, dos meios e dos fins. Tanto os meus, quanto os que adquiri de todos que já encontrei.

Em meu suicídio ideológico, encontro o centro. Nele prevalece a consciência de minhas mãos, minhas pernas, e de minha ofegante respiração, enquanto a diária e armada luta contra mim mesma se dispersa sem perceber.

Em meu suicídio, provo que há fim no que não é neutro, e probabilidade no que nunca aconteceu.

No fim, garanto que a vida nunca foi o suficiente para atingir minha solidão. Pouco do que existe é suficiente para atingir este retiro que faço questão de cultivar tão veementemente a cada abrir de olhos de pequenas piscadelas.

Do fim, me alimento.

Diariamente.

Boa sorte!

Bom dia!

Paula Febbe

O Sintoma da Sacolinha

Costumo não falar sobre política. Tenho minhas crenças, mas não gosto de “pregar” opiniões. Acontece que muita coisa, no Brasil e, principalmente em São Paulo – onde moro – tem me feito sentir vontade de expor algumas palavras, sim!

Acho muito perigoso quando os governantes começam a levantar “bandeiras nobres”. Covardia enorme usar o que há de bom nas pessoas para manipulá-las. Abuso de poder? Afinal, belo acordo entre governo e a máfia dos mercados. Sustentabilidade? Então presumo que não acondicionaremos mais o lixo em sacos plásticos. Creio que se esta fosse a questão, os mercados não comercializariam as “terríveis” sacolas plásticas… Ah! Mas se sair do bolso do consumidor, tudo bem. Genial ideia para a “sustentabilidade” financeira dos mercados. Tenho consciência do quanto é importante cuidarmos do nosso planeta, mas assim? Insisto…Não usaremos mais sacos de lixo? Não haverá mais sacolinhas? Não, elas continuarão desde que sejam pagas! Muito bem!

No Brasil, país de monarquia em desuso, segue-se outro “Príncipe”, o de Maquiavel. Os fins, cada vez mais, justificam os meios.

Não podemos esquecer que o nazismo também levantava uma “bandeira nobre”. Faria os alemães “morarem bem” e melhoraria muito a economia do país. Só que o povo não sabia o preço que pagaria para isso.

O Brasil tem exposto a falta de bom senso ao nível máximo e nós temos acatado.

A “sacolinha” deixou de ser apenas uma “sacolinha” e hoje serve como símbolo de um sintoma que acontece em absolutamente todas as áreas do país.

Para quem trabalha com música, como eu, por exemplo: Temos de lidar com a Ordem Brasileira dos Músicos e ECAD. Hoje foi até divulgada uma cobrança de ICMS em cima de um Grammy recebido por um dos maiores produtores musicais brasileiros. Isso apenas para citar alguns poucos dos muitos absurdos.

Uma pseudo ordem para um pseudo progresso que parece nunca acontecer.

Escrevo, pois essa é minha arte e acredito no poder da palavra. Também creio que as redes sociais estão, realmente, sendo responsáveis por discussões democráticas que não aconteciam há alguns anos.

Quem sabe agora, começando por percepções escritas, possamos mudar o que acreditamos ser muito errado.

Vamos deixar de esquecer?

Vamos conversar?

Paula Febbe

Pratos de Visita

Afinidade não se explica.

Como conseguir colocar em palavras a persistência de convivências que poderiam ter sido tão facilmente esquecidas com o acúmulo de horas, dias e anos, mas que sobrevivem a tudo sem absolutamente nenhum motivo aparente?

Por algumas vezes, nem a própria afinidade é tão visível assim. Você a sente, mas não consegue enxergá-la. As diferenças são muito grandes! Até constantemente se lembra de que não há motivo racional nenhum para estar ali. Mas você definitivamente está. Ah, e como está! E dali você não sai. Dali ninguém te tira!

“Because something is happening here, but you don´t know what it is. Do you, Mr. Jones?“.

Ainda assim, é preciso ser muito sábio e cuidadoso, pois as pessoas se contestam o tempo todo.

Tão acostumadas com a falta de beleza, com a vulgaridade nas relações, se mostram tão desconfiadas que reduzem si mesmas a meras sacanagens em potencial. Mas não, não é tudo uma grande e incalculável diversão!

Acontece que nem toda atenção que venha sem avisar é displicente e esquecível.

Nem todo desejo almeja apenas colocar o outro num pódio de possíveis prazeres ou conquistas.

Às vezes, as tais “sacanagens” sem verdade saem caro demais pra falta de sucesso em conseguir preencher a cama alheia.

Mas no final das contas, as “ligações inexplicáveis” existem e fazem parte do ciclo e do que é belo na vida.

Pelo menos uma vez enquanto vivermos, ela trará alguém que se tornará nosso retrovisor de vontades em um carro roubado e sem seguro.

Um amuleto invisível.

Nossa teimosia delicada.

Solidariedade afetiva.

Imaginação plena.

Continuidade e descontinuidade.

Nossa mais nobre delicadeza.

Alguém que motivará pratos de visita postos indefinidamente à mesa, prontos para uma nova refeição, aconteça ela um dia, vinte anos ou nunca mais após o último encontro.

A vida o faz, para que não esqueçamos de nossas limitações, para que paremos de acreditar que podemos ter tudo e, ao mesmo tempo – ainda que com um milhão de “nãos” – construamos uma ingênua, praticamente infantil esperança. Talvez a vida o faça até para nos lembrar que aquele sorriso que aparece sem querer no canto da boca em um dia difícil é algo bem quietinho e exclusivamente nosso. Nossa ternura em forma de segredo que ninguém tem o direito de julgar.

As “ligações” acontecem de maneira misteriosa enquanto dormimos, nos dirigimos ao trabalho ou até mesmo enquanto lemos a frase de um texto que nada tem a ver com este assunto. Acontecem enquanto somos, pois elas simplesmente também só são, sem culpa alguma, ainda quando não queremos. Pois no ser humano existe o bem, o mal, e aquilo que é tão honesto que acaba sendo maior que estes dois e, por isso, se encaixa em ambos e em nenhum.

Todos nós podemos escolher aonde ir e o que fazer. É sábio pesar as consequências de tudo e, às vezes, é mais prudente decidir que o melhor é não sair do caminho já conquistado. Porém, sempre existirá a cabeça no travesseiro e a bonita curiosidade daquilo que não temos como saber. Haverá sempre a eterna discussão que silenciosamente grita dentro da gente e nos divide entre aquilo que podemos e o que não podemos controlar. E tudo bem…

Ainda há beleza em rir de nós mesmos, calar a boca para sempre e tentar deixar ir embora o que nunca foi nosso, mesmo que isso tenha que acontecer com muito esforço todo café da manhã, todo almoço, toda noite… todo santo dia.

Paula Febbe