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Reading on Youtube!

Oi, gente! Comecei hoje uma nova maneira de divulgar meu trabalho que pode se tornar interessante. Vou colocar textos meus no youtube, acompanhados de uma foto. Como a ferramenta é para o mundo inteiro, tentarei postar a maioria dos textos …em inglês, mas veremos…. Ah! O texto não tem áudio, mesmo. A ideia é só ler o poeminha que eu colocarei na descrição.

Today I started a new way of showing my work. I´m going to put on Youtube some of my texts accompanied by a picture. As Youtube is a worldwide tool, I´m going to try to post most texts in english, but we´ll see how things go. By the way, there´s really no audio. It´s just pictures with the poems, ok? Thank´s for reading! :)

http://www.youtube.com/watch?v=oka_dddaKb0

http://www.youtube.com/watch?v=3G4DFQPcaAI

Paula Febbe

Aquela Antiquada Anarquia

O texto a seguir é a pequena parte de uma exposição que farei com o fotógrafo Roger Sassaki.

Mais informações em breve…

Imagem

Meu fanatismo pelo fanatismo acabou.

Tenho, hoje em dia, vergonha de minha hibernação tolerante.

A anarquia não funciona mais para mim, pois creio que ela não seja nada além de vaidade. Algum tipo de admiração que aparece pelo encantamento ideológico de seu próprio exagero retórico.

Skinheads brasileiros;

Punks que trabalham das oito às seis.

Como ironia de tal vaidade, meu delineador, até hoje, serviu como adorno de minha consciência sexual, o que claramente, na visão dos que não o usam, exclui minha possibilidade de alguma inquietude social.

Acontece que tal relação não existe. E foi por perceber que você me reduz a isso que agora, realmente, não vou mais com a sua cara. O que seria do Femen se ele dependesse deste reconhecimento? Mulheres loiras não sentem, não pensam, não são. Não é isso que diz alguma piada que você tem na ponta de sua língua?

Para estes preconceitos toleráveis vestidos de pessoas, quero esclarecer:

Você não sabe as marcas que minha maquiagem esconde;

Você não sabe o que já passei entre minhas pernas para mantê-las, com um salto 15, bem longe do chão por onde você cospe para exibir sua masculinidade;

Você não sabe que o sofrimento humano não está geograficamente delimitado na Zona Leste de São Paulo ou em um morro do Rio de Janeiro;

A sua rejeição me trouxe uma epifania social!

Final da adolescência teimosa, tardia e ignorante em querer agradar quem só enxerga a força quando ela é bruta e masculina.

Demorou, mas a seriedade xiita tornou-se uma piada para mim, exatamente assim que me percebi uma piada para ela.

Agora, graças a você, a cada piscar de meus olhos, acordo, e começo cada dia com um grande espelho à minha frente e uma legião de palavras e ideais de mentirinha colocados, exatamente, sob aquele scarpim que você tanto detesta.

Paula Febbe

Intimidade

Lembro de uma vez em que estava apaixonada e deitada na cama com o homem amado. Acreditava que uma vida toda não seria o suficiente para saciar a grandeza daquilo que eu sentia.

Fato é que, no final das contas, houve vida de sobra.

Paula Febbe

Bilhete de Suicídio

Este é um bilhete de suicídio, mas não, não vou me matar.

Meu suicídio é ideológico, por isso faço o suficiente para que tudo que é meu se vá. Livro-me agora dos começos, dos meios e dos fins. Tanto os meus, quanto os que adquiri de todos que já encontrei.

Em meu suicídio ideológico, encontro o centro. Nele prevalece a consciência de minhas mãos, minhas pernas, e de minha ofegante respiração, enquanto a diária e armada luta contra mim mesma se dispersa sem perceber.

Em meu suicídio, provo que há fim no que não é neutro, e probabilidade no que nunca aconteceu.

No fim, garanto que a vida nunca foi o suficiente para atingir minha solidão. Pouco do que existe é suficiente para atingir este retiro que faço questão de cultivar tão veementemente a cada abrir de olhos de pequenas piscadelas.

Do fim, me alimento.

Diariamente.

Boa sorte!

Bom dia!

Paula Febbe

O Sintoma da Sacolinha

Costumo não falar sobre política. Tenho minhas crenças, mas não gosto de “pregar” opiniões. Acontece que muita coisa, no Brasil e, principalmente em São Paulo – onde moro – tem me feito sentir vontade de expor algumas palavras, sim!

Acho muito perigoso quando os governantes começam a levantar “bandeiras nobres”. Covardia enorme usar o que há de bom nas pessoas para manipulá-las. Abuso de poder? Afinal, belo acordo entre governo e a máfia dos mercados. Sustentabilidade? Então presumo que não acondicionaremos mais o lixo em sacos plásticos. Creio que se esta fosse a questão, os mercados não comercializariam as “terríveis” sacolas plásticas… Ah! Mas se sair do bolso do consumidor, tudo bem. Genial ideia para a “sustentabilidade” financeira dos mercados. Tenho consciência do quanto é importante cuidarmos do nosso planeta, mas assim? Insisto…Não usaremos mais sacos de lixo? Não haverá mais sacolinhas? Não, elas continuarão desde que sejam pagas! Muito bem!

No Brasil, país de monarquia em desuso, segue-se outro “Príncipe”, o de Maquiavel. Os fins, cada vez mais, justificam os meios.

Não podemos esquecer que o nazismo também levantava uma “bandeira nobre”. Faria os alemães “morarem bem” e melhoraria muito a economia do país. Só que o povo não sabia o preço que pagaria para isso.

O Brasil tem exposto a falta de bom senso ao nível máximo e nós temos acatado.

A “sacolinha” deixou de ser apenas uma “sacolinha” e hoje serve como símbolo de um sintoma que acontece em absolutamente todas as áreas do país.

Para quem trabalha com música, como eu, por exemplo: Temos de lidar com a Ordem Brasileira dos Músicos e ECAD. Hoje foi até divulgada uma cobrança de ICMS em cima de um Grammy recebido por um dos maiores produtores musicais brasileiros. Isso apenas para citar alguns poucos dos muitos absurdos.

Uma pseudo ordem para um pseudo progresso que parece nunca acontecer.

Escrevo, pois essa é minha arte e acredito no poder da palavra. Também creio que as redes sociais estão, realmente, sendo responsáveis por discussões democráticas que não aconteciam há alguns anos.

Quem sabe agora, começando por percepções escritas, possamos mudar o que acreditamos ser muito errado.

Vamos deixar de esquecer?

Vamos conversar?

Paula Febbe

Trecho de “Carta ao Filho que Nunca Tive”.

Abaixo, trecho de um próximo livro meu:

“Fiz a pergunta e a resposta foi um simples sim.

Hoje, seus loiros cabelos estariam cobertos por uma touca que eu teria comprado na companhia de minha mãe.

Durante um passeio, você olharia para o nada e daria pequenas risadas que eu não saberia decifrar, mas me divertiriam mais do que qualquer entretenimento construído.

Te carregaria no colo por horas e nunca cansaria.

Te alimentaria por todo o dia.

Dançaríamos juntos, e enquanto eu cantasse as canções mais bobas, suas mãozinhas agarrariam minha jaqueta e seu medo se esconderia em torno do meu pescoço.

Em seu pequeno rosto, eu encontraria uma paz incalculavelmente imensa e contestaria toda minha vida anterior a você.

Pois meu mal haveria ido embora;

Pois eu não seria só uma;

Pois você existiria;

Pois algo faria sentido;

Pois você estaria aqui.”

Paula Febbe

Pratos de Visita

Afinidade não se explica.

Como conseguir colocar em palavras a persistência de convivências que poderiam ter sido tão facilmente esquecidas com o acúmulo de horas, dias e anos, mas que sobrevivem a tudo sem absolutamente nenhum motivo aparente?

Por algumas vezes, nem a própria afinidade é tão visível assim. Você a sente, mas não consegue enxergá-la. As diferenças são muito grandes! Até constantemente se lembra de que não há motivo racional nenhum para estar ali. Mas você definitivamente está. Ah, e como está! E dali você não sai. Dali ninguém te tira!

“Because something is happening here, but you don´t know what it is. Do you, Mr. Jones?“.

Ainda assim, é preciso ser muito sábio e cuidadoso, pois as pessoas se contestam o tempo todo.

Tão acostumadas com a falta de beleza, com a vulgaridade nas relações, se mostram tão desconfiadas que reduzem si mesmas a meras sacanagens em potencial. Mas não, não é tudo uma grande e incalculável diversão!

Acontece que nem toda atenção que venha sem avisar é displicente e esquecível.

Nem todo desejo almeja apenas colocar o outro num pódio de possíveis prazeres ou conquistas.

Às vezes, as tais “sacanagens” sem verdade saem caro demais pra falta de sucesso em conseguir preencher a cama alheia.

Mas no final das contas, as “ligações inexplicáveis” existem e fazem parte do ciclo e do que é belo na vida.

Pelo menos uma vez enquanto vivermos, ela trará alguém que se tornará nosso retrovisor de vontades em um carro roubado e sem seguro.

Um amuleto invisível.

Nossa teimosia delicada.

Solidariedade afetiva.

Imaginação plena.

Continuidade e descontinuidade.

Nossa mais nobre delicadeza.

Alguém que motivará pratos de visita postos indefinidamente à mesa, prontos para uma nova refeição, aconteça ela um dia, vinte anos ou nunca mais após o último encontro.

A vida o faz, para que não esqueçamos de nossas limitações, para que paremos de acreditar que podemos ter tudo e, ao mesmo tempo – ainda que com um milhão de “nãos” – construamos uma ingênua, praticamente infantil esperança. Talvez a vida o faça até para nos lembrar que aquele sorriso que aparece sem querer no canto da boca em um dia difícil é algo bem quietinho e exclusivamente nosso. Nossa ternura em forma de segredo que ninguém tem o direito de julgar.

As “ligações” acontecem de maneira misteriosa enquanto dormimos, nos dirigimos ao trabalho ou até mesmo enquanto lemos a frase de um texto que nada tem a ver com este assunto. Acontecem enquanto somos, pois elas simplesmente também só são, sem culpa alguma, ainda quando não queremos. Pois no ser humano existe o bem, o mal, e aquilo que é tão honesto que acaba sendo maior que estes dois e, por isso, se encaixa em ambos e em nenhum.

Todos nós podemos escolher aonde ir e o que fazer. É sábio pesar as consequências de tudo e, às vezes, é mais prudente decidir que o melhor é não sair do caminho já conquistado. Porém, sempre existirá a cabeça no travesseiro e a bonita curiosidade daquilo que não temos como saber. Haverá sempre a eterna discussão que silenciosamente grita dentro da gente e nos divide entre aquilo que podemos e o que não podemos controlar. E tudo bem…

Ainda há beleza em rir de nós mesmos, calar a boca para sempre e tentar deixar ir embora o que nunca foi nosso, mesmo que isso tenha que acontecer com muito esforço todo café da manhã, todo almoço, toda noite… todo santo dia.

Paula Febbe

Warsaw or the first breath you take after you give up…

 

 

Tive mais um texto publicado pela editora Mojo Books!

Dessa vez, minha inspiração foi a música “Warsaw or the first breath you take after you give up” do Them Crooked Vultures.

Link aqui: http://www.mojobooks.com.br/blog/2011/09/26/warsaw-or-the-first-breath-you-take-after-you-give-up-them-crooked-vultures-por-paula-febbe/

Obrigada a quem ler!

Beijos

Paula Febbe

O Fabuloso Mundo do Rock

Oi, gente!

Agora está à venda o livro “O Fabuloso Mundo do Rock” da V&R editora que eu ajudei a escrever.

A edição está lindíssima, como vocês podem ver abaixo.

Leiam, divulguem, comprem!

A autora agradece! :)

Beijos

Paula Febbe

Ode ao Meu Ano no Limbo.

Normalmente escrevo sobre música neste blog, mas hoje não.

Hoje vim dizer que vou tentar parar com as drogas.

Sabe, sempre gostei dos homens.

Sempre simpatizei bem mais com os homens do que com mulheres.

Sou muito amiga de vários e já admirei bastante a praticidade com que tratam a vida, os problemas. Tão mais simples que nós!

Há pouco tempo, no entanto, cheguei à conclusão de que tal praticidade pode ser, na verdade, sinal de desleixo.

Hoje, depois de passar por exato um ano no limbo, quero paz.

Falo de paz, mas não pretendo estender uma bandeira branca na frente de cada homem que tive, apenas para que possam melhor ofender o que não tivemos. Também não serei humilde, apenas para que possa me ser exigido algo que nunca quis sacrificar por ninguém. A minha vida sempre será minha e, minhas vontades também.

Hoje, o que me intriga é imaginar os olhares viciados em importâncias tão artificiais que não são capazes de perceber quando algo realmente grande os cerca. Me parece curioso que quando conseguem algo de valor, facilmente se autossabotam. Botam tudo a perder por uma curiosidade imbecil e se abraçam com força na quase verdade de que as mulheres que os amam foram as causadoras de um comportamento X.

O engraçado é que ao mesmo tempo, canso de ouvir amigas comentando que “não foram boas o suficiente” para alguém. A mulher, como sempre, acostumada a se culpar e a carregar a cruz. Coitadas? Não…o coito dessa vez está do lado errado. Coitados! Tão acostumados a comer “putas pagas “e a tratar “não pagas” como putas, que nem se dão ao trabalho de entender onde é construído o real orgasmo de uma real mulher. Na maioria das vezes, nem querem saber. Dá muito trabalho tentar descobrir.

Hoje eles têm, cada vez mais, se tornado homens ocos.

Ecos vazios de elogios que nem eles entendem.

Lacunas e mais lacunas.

Bagaços.

Não estou dizendo que todas as mulheres são santas, muito pelo contrário, mas pelo que tenho visto recentemente, a maioria não teria medo de bancar um amor de verdade. Odiar é fácil, amar é que demanda coragem.

Por isso e pelo fato de ser uma mulher, é meu dever que a simpatia que coloco neste texto seja direcionada única e exclusivamente às mulheres: namoradas, esposas, mães, amantes e apaixonadas em geral. Todas que possuem aquela mania enorme de se prender a uma culpa que não lhes pertence.

Odeio autoajuda, mas sou obrigada a dizer que este ano no limbo finalmente me trouxe amor próprio. Trouxe de volta uma confiança que eu, um dia, achei ter perdido.

Se hoje fizesse parte de qualquer outro dia, eu normalmente sairia para comemorar meu ano novo pessoal. Provavelmente iria a mais um encontro com um cara que não teria nem ideia sobre minha pequena conquista interna. E eu também não contaria. Cantaria sim, meu “Parabéns” particular em silêncio, meio a conversas que não me fariam nem cosquinha.

Mas hoje faz parte de hoje e decidi começar a me prometer que não sairei de minha cama por homens que sejam muito melhor substituídos por um bom livro.

Tudo começa pelo começo.

24 horas.

Só por hoje.

Paula Febbe

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